Monthly Archives: abril 2015

Chef que inspirou personagem de Ratatouille é eleita melhor do mundo
   Alessandra  Vieira  │     29 de abril de 2015   │     11:52  │  0

chef

Elas não dominam o mercado – ainda comandado pelo tempero masculino – mas possuem representantes de peso por todo o mundo. Um dos nomes é o de Hélène Darroze, eleita recentemente a melhor chef mulher de 2015 com o prêmio 50 Best, organizado anualmente pela revista britânica Restaurant. A francesa sucedeu ao trono a brasileira Helena Rizzo do restaurante Maní de São Paulo, que ganhou o prêmio no ano passado.

Um dos pratos clássicos da chef de 48 anos – à frente do restaurante que leva seu nome em Paris e da cozinha do hotel The Connaught, em Londres – é o risoto de tinta de lula com lulas salteadas, chorizo, tomate confit e espuma de parmesão – considerado simultaneamente modesto e complexo.

Mas o mais divertido e curioso disso tudo é que, de personalidade agradável e equilibrada, Darroze inspirou a charmosa chef Colette, da animação Ratatouille, produzida pelos estúdios Pixar em 2007.

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Risoto do Vila no Brasil Sabor
   Alessandra  Vieira  │     28 de abril de 2015   │     13:04  │  0

prato Silvana

Olha que notícia boa! Tudo certo para mais uma edição do Brasil Sabor, festival gastronômico que acontece simultaneamente em todas as capitais do Brasil há uma década. Alagoas está participando pela 9ª vez, e este ano com 34 restaurantes situados em Maceió, Arapiraca e Marechal Deodoro. É uma oportunidade bem interessante para as casas divulgarem seus produtos e de o público ter acesso a eles por um preço diferenciado. Na capital alagoana, um dos restaurantes participantes é o Vila Chamusca e o prato escolhido pela Chef Silvana Chamusca para participar do festival é o Risoto do Vila, primeira delícia criada por ela ainda durante a inauguração do restaurante, em dezembro de 2006. Agora em 2015 a receita foi revisada, sendo preparada com arroz arbóreo, queijo parmesão e todos os demais ingredientes colocados na medida. O festival acontece entre os dias 14 e 31 de maio, mas até lá você já pode ir treinando em casa o risoto da chef Silvana. Mas confesso que o ideal mesmo é ir lá no Vila conferir o original.

Aí vai a receita.

RISOTO DO VILA

Ingredientes

100 g de camarão médio; 70 g de arroz arbóreo; 50 ml de leite de coco; 100 ml de leite de gado; 30 ml de azeite; meia cebola ralada; 20 g de queijo parmesão ralado grosso; 75 gramas de queijo parmesão ralado fino; 300 ml de caldo de legumes e camarão; refogado de verduras (1 colher de sopa de tomates picado, 1 de cebola, 1 de pimentão, 1 pimenta de cheiro pequena, cebolinha, salsa); 1 colher de chá de açafrão em pó e se preferir uma pitada de estigma de açafrão; 1 camarão grande; 1 talo de salsinha (para decorar).

Modo de preparo

O ARROZ: Em uma sauté com teflon refogar o dente de alho com meia cebola ralada no azeite, colocar o arroz, continuar refolgando. Aos poucos vai colocando o caldo de legumes com camarão, vai mexendo suavemente, até conseguir o ponto do arroz arbóreo. (Em média 14 minutos em fogo de alta pressão médio). O CAMARÃO: Em outra sauté colocar as verduras refogadas com um pouco de azeite, refogar o camarão, colocar o açafrão, o leite de coco, depois o leite de gado, deixar cozinhar, por uns 6 minutos. (Fogão de alta pressão médio). A CESTINHA DE PARMESÃO: Na frigideira tefal pequena colocar o parmesão em forma circular quando conseguir uma forma quase dura tirar e fazer em forma de cesta. FINALIZAÇÃO: Mistura o camarão no coco ao arroz arbóreo, misturar por 2 minutos, colocar o parmesão ralado grosso. MONTAGEM: Colocar o risoto finalizado na cestinha de queijo e decorar com o camarão grande grelhado e os talos de cebolinha.

MENU

Brasil Sabor

Restaurantes de Maceió, Arapiraca e Marechal Deodoro

Entre os dias 14 e 31 de maio

Restaurantes participantes: http://www.brasilsabor.com.br/

Vila Chamusca

Rua Djanira Bezerra de Omena, 130 – Ipíoca

Telefone: (82)3355-1639

Maceió – AL

de quarta à sábado de 12h às 22h/ domingo e segunda 12h às 18h

Risoto da Vila: R$ 38 para 1 pessoa (durante o festival)

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Ainda sobre madeleines
   Alessandra  Vieira  │     27 de abril de 2015   │     17:00  │  6

Madeleines

Entre muitos quitutes com sotaque francês, certamente um que faz muito sucesso é o bolinho madeleine, para nós, também chamadas madalenas. O doce agrada aos olhos e também ao paladar por seu sabor delicado, ideal para lanches, principalmente acompanhado de chá ou café. Uma das particularidades é a superfície estriada em formato de concha de Vieira, obtido através de forminhas específicas.

Uma das origens difundidas atribui a invenção da delícia a uma mulher chamada Madeleine, que usava os bolinhos para alimentar os peregrinos do Caminho de Santiago. Rota que atravessa o norte da Espanha, a partir da fronteira com a França, em direção a Santiago de Compostela, capital da Galícia, província da Corunha, cujo símbolo é uma concha de Vieira.

Numa rápida pesquisa, encontrei algumas versões de madeleines utilizadas em alguns países. Magdalenas inglesas; madalenas epanholas; madalenas italianas; madalenas portuguesas. A última ganhou registro das Irmãs Rocha no livro “Doçuras do mundo todo”. “A receita foi dada por dona Mariana, uma portuguesa que conhecemos anos atrás. Infelizmente ela já morreu”, me contou dona Ieda Rocha.

Aí vai a receita.

MADALENAS PORTUGUESAS DE DONA MARIANA

MASSA – ingredientes

1 xícara de açúcar triturado

2 xícaras de açúcar cristal

1 ½ xícara de farinha de trigo

½ xícara de leite de coco

1 colher (chá) de fermento em pó

100 g manteiga

2 ovos

MASSA – preparo

Bata o açucar triturado com manteiga, junte as gemas e bata bem. Acrescente a farinha de trigo já misturada ao fermento, alternando com o leite. Junte as claras batidas em neve e misture delicadamente. Coloque em forminhas pequenas, untadas. Asse em forno brando, preaquecido, por mais ou menos 20 minutos. Desenforme ainda quente.

COBERTURA – ingredientes

2 xícaras de açúcar cristal

1 litro de água

5 cravos da índia

COBERTURA – preparo

Faça uma calda rala com o açúcar, água e cravos da índia. Baixe os docinhos nessa calda, deixe-os secar e coloque-os em caixinhas de papel.

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Sobre mães, Proust e madeleines
   Alessandra  Vieira  │       │     13:55  │  7

Dizem que quem vai embora dessa vida não leva nada consigo. No entanto, a frase pode ter um significado menos literal, menos óbvio quando vista por outro ângulo. Há algum tempo, me dei conta de que, quando se foi, minha mãe levou com ela, além de muito amor, os olhos azuis mais lindos que já existiram e a receita do bolo de chocolate mais incrível. Ninguém lá em casa aprendeu a fazer o bolo e o curioso é que eu sempre quis que ela me ensinasse, mas achei que ainda teria muito tempo para isso.

Li certo dia que o pensador francês Marcel Proust – num período em que vivia recluso e doente num quarto em Paris – encontrou na madeleine (bolinho de limão em forma de concha) e numa xícara de chá, razões para seguir adiante. Essa experiência marcou a vida do escritor do clássico “Em busca do tempo perdido” e a emoção do momento foi registrada no primeiro dos sete volumes da obra intitulado “No caminho de Swann”: “Muitos anos fazia que, de Combray, tudo quanto não fosse o teatro e o drama do meu deitar não mais existia para mim, quando, por um dia inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por quê, terminei aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madalenas e que parecem moldados com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena. Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferentes as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo. Cessava de me sentir medíocre, contingente, mortal”.

É assim, sob o aval de Proust, pensando na minha Maria, na sua receita inesquecível e na certeza de que aquilo que nos alimenta também nos remete a emoções, memórias e pertencimentos que dou início a este blog. Que ele seja um lugar muito especial dedicado principalmente à gastronomia alagoana. Sejam bem vindos sempre!

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