Comida é feita para aguçar os sentidos
   Alessandra  Vieira  │     3 de setembro de 2016   │     10:21  │  0

Os atos de preparar a comida e comê-la, além do uso dos temperos, do tempo certo, da temperatura ideal, mordidas e mastigadas, também exigem a conjugação dos verbos surpreender, divertir, entreter, ousar, experimentar. Porque a comida não é feita apenas para ser comida e sim para aguçar os sentidos. O chef Aaron Ben Saffer tinha isso em mente quando montou o novo cardápio do Cozinha 110 (antigo Comedoria Gourmet do restaurateur Luiz Guzman, agora em sociedade com a nutricionista Paula Amélio).

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Chef Aaron Ben Saffer agora no comando do Cozinha 110

É assim com o Amassadinho, bolinho de macaxeira com carne do sol servido em uma camada de cheiro verde e pimentas de cheiro. Para degustá-lo, é preciso abri-lo ao meio e, como se fosse um pedaço de pão, limpar o prato, literalmente. Só assim, o sabor intencionado pelo chef é percebido em sua totalidade.

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Amassadinho: bolinho de macaxeira com carne do sol

Assim também com o Nadador, o caldo de camarão com leite de coco, acompanhado de uma porção de pó de dendê. Encorpado, o sabor do camarão é realçado com um truque que eu já conhecia da cozinha da minha mãe: as cabeças são cozidas e batidas no liquidificador, depois descartadas. A presença do leite de coco é forte, porém na medida (para quem gosta como eu). Estão lá todos os sabores, tudo marcante com equilíbrio. Também para quem gosta, o dendê em pó pode ser acrescentado na proporção que o paladar achar melhor.

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Nadador: caldinho de camarão acompanhado com porção de pó de dendê

O Vôôôte! foi mesmo batizado com uma expressão muitíssimo apropriada. Onde já se viu servir um carpaccio de abacaxi com tomates assados, queijo coalho, cebola roxa, calda de coentro, vinagrete de papaia e redução de balsâmico?? Impressiona porque o resultado é incrível! Ácido, refrescante, doce… uma harmonia de sabores resultado de uma operação delicada. A acidez da cebola é retirada deixando para o balsâmico completar a acidez e também dar o sabor adocicado. O papaia, por mais que seja doce, é neutralizado, ficando apenas um aroma frutado. Então temos o doce do abacaxi, o frutado desconcertante do papaia, a leve acidez do balsâmico e o sabor quase adstringente da cebola, finalizado com coentro pra que o sabor não saia da boca.

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Vôôôte!: carpaccio de abacaxi com uma variedade de outros sabores

Outro da linha de frente é o Chumbrego, a cumbuca de amendoim tropeiro acompanhada com uma fatia de queijo coalho assado, para finalizar redução de morango e balsâmico. É como um arrumadinho com a grata surpresa da substituição do feijão pelo amendoim. Destaque para o agridoce do prato – sabor pelo qual Aaron se sente mesmo atraído.

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Chumbrego: cumbuca de amendoim tropeiro

Também fazem parte dos novos pratos da casa os risotos Biquete (camarão com cremoso curry vermelho, arroz com gergelim e castanhas crocantes); Bigu do sertão (carne do sol, batata doce em palha, cebola agridoce e pó de manteiga) e Nem parece (amendoim, cebola roxa e feijão verde com chips de batata doce e castanha crocante).

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Nem parece: risoto de amendoim, castanha crocante e chips de batata doce

Aí vem a sobremesa. A Mexeriqueira. Um crocante de amendoim, biscuit de chocolate, ganache endurecido de chocolate com licor de laranja, calda de frutas vermelhas e um sorvete de creme. Ela vem meio bagunçada, obrigando a gente a misturar os sabores para perceber que cada mistura tem um resultado diferente, uma sensação diferente. Um “huuummm!” diferente.

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Mexeriqueira: sorvete de creme com crocante de amendoim, biscuit de chocolate…

TEM MAIS…

Além de mudar o nome e toda identidade visual, a casa também sofreu mudanças físicas. Seu interior foi todo repaginado para tornar o ambiente mais descontraído e alegre. O grafite foi escolhido para dar essa pegada mais pop e o artista Gedson o responsável pela explosão de cores nas paredes dos salões.

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Chef Aaron Ben Saffer, Paula Amélio e Luiz Guzman

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As paredes ganharam grafite do artista visual Gedson

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Em uma das paredes, fogão vermelho descontrai o ambiente

Veja também na edição deste sábado da Gazeta de Alagoas, no suplemento Revista Maré.

 

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Cozinha 110

Álvaro Calheiros, 110 – Jatiúca – Maceió-Alagoas. Telefone para reservas: (82) 3313-0697

Entradas e tira-gostos: entre R$ 6,99 a R$ 26,90

Prato principal (individual): entre R$ 26 e R$ 34 (além dos novos, o restaurante continua servindo seus tradicionais, como o completão de carne de sol)

Horário de funcionamento: terça à sábado, das 11h30 às 16h e das 18h30 às 23h; domingo, das 11h30 às 17h30.

Aceita cartão e tem wifi.

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