Receitas das Alagoas: tradição e afetividade
   Alessandra  Vieira  │     25 de junho de 2018   │     13:55  │  0

“Receitas das Alagoas”, novo livro da jornalista alagoana Nide Lins, divide a culinária alagoana entre cozinha de boteco, de chef, de rua e de tradição

Misture, primeiro, cinco cocos ralados ao açúcar. Leve ao fogo e fique mexendo para, só agora, misturar o último coco ralado. Quando a mistura começar a se desprender do fundo do tacho (a melhor panela para esse tipo de receita), o quebra-queixo está no ponto. Segredo: quando começar a aparecer o fundo da panela, tire com uma colher de sopa um pouco de doce e passe a colher por fora de uma vasilha de alumínio. Se o quebra-queixo fixar, é porque já está no ponto certo. Opcional: no final, pode misturar com castanha ou amendoim torrado sem casca. Coloque no tabuleiro e deixe esfriar. Detalhe: no fogão à lenha, leva em torno de 45 minutos.

Mais que uma receita o texto acima revela a fórmula de uma das guloseimas mais tradicionais de Alagoas, o quebra-queixo. O passo a passo deste doce e de outros tesouros da gastronomia local – reconhecida pela diversidade, qualidade e originalidade – estão agora devidamente registrados e eternizados na obra literária “Receitas das Alagoas”, novo livro da jornalista alagoana Nide Lins.

Seu José Açucena da Silva e sua receita de quebra-queixo estão no livro “Receitas das Alagoas”

Dividido entre cozinha de boteco, de chef, de rua e de tradição, o livro traz aqueles pratos tradicionais da gastronomia popular (a receita do quebra-queixo é do seu José Açucena da Silva) e também de grandes chefs da cozinha alagoana. E sabe aquelas receitinhas guardadas a gerações nos cadernos das avós, aquelas que certamente remontam ao nosso passado mestiço e que rendeu esse tempero único que só Alagoas tem? Também estão no livro.

Com prefácio do jornalista e chargista Ênio Lins, irmão da autora, a obra da Imprensa Oficial Graciliano Ramos também fala de afetividades. “Nide talvez não se recorde dos detalhes do grande fogão de alvenaria com muitas trempes, alimentado a carvão e estendido de parde a parede na cozinha de Vó Tila. Mas ficaram nela entranhados sabores e sabores daquela cozinha”, escreveu.

Casquinha de siri recheada com o Aratu: a receita da Peixada da Marinete, de Porto de Pedras, também está no livro

E são esses sabores que, entre uma receita e outra, a autora revela em histórias que têm a ver com sua ligação com a gastronomia. “Em relação à carapeba, que é um peixe tipicamente alagoano e que a nossa tem uma particularidade: fica em água salobra, entre o rio, a lagoa e o mar, então se torna um peixe nobre. Minha história com a carapeba é a seguinte: toda vez que meu pai brigava comigo, depois de um tempo ele ia ao mercado e vinha com carapeba para fazer as pazes. Certa vez, quando ele descobriu que eu iria fazer jornalismo ele ficou de mal, ficou sem falar comigo durante uma semana. Aí, quando a raiva passou, ele comprou carapeba para selar a paz ente nós. Então, a carapeba é parte da minha história. Da minha e de muita gente!”, contou.

Sendo assim, livro em mãos, só cabe ao leitor se deliciar com as histórias e receitas contadas por Nide Lins que também conta a história da culinária alagoana.

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Lançamento do livro “Receitas das Alagoas”, de Nide Lins l nesta segunda-feira, 25, às 18h l jardim do Palácio república dos Palmares, Centro de Maceió l valor do livro: R$ 60 (apenas nesta segunda, dia do lançamento: R$ 50 – também à venda nos cartões l entrada franca.

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